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18/09/2017

Pernambuco se organiza para ser polo de cervejaria artesanal

Uma bebida já conhecida lá atrás pelos sumérios, egípcios, mesopotâmios e iberos vem ganhando sabores elaborados e sendo produzida de maneira diferenciada. Quase sendo feita à mão. A cerveja artesanal está conquistando o paladar dos pernambucanos e atraindo novos negócios ao Estado. Tanto que foi lançada, nesta segunda-feira (18), a Dimer & Fialho Consulting – primeira consultoria do país especializada na abertura de novos negócios na área da cervejaria artesanal e fortalecimento da cadeia produtiva. O encontro – que aconteceu na BeerDock, Rua Maria Carolina, 237, Boa Viagem – reuniu empresários e formadores de opinião.

Trata-se de uma fusão da pernambucana Contti Auditoria e Consultoria Contábil e a gaúcha Dimer Consultoria. Uma junção do know-how de mestres-cervejeiros conhecidos no Brasil e no mundo com a experiência de 25 anos em gestão de negócios, contábil e administrativa.

Mais que só abrir a empresa e criar novas receitas, a Dimer & Fialho Consulting tem também no portfólio a disponibilidade de treinamento de pessoal, indicação de fornecedores, orientação tributária e prospecção de mercado. Segundo o mestre-cervejeiro e também sócio Ilceu Dimer, o objetivo da empresa que acaba de nascer é de levar profissionalismo e um alto grau de tecnicidade à produção artesanal. “Não podemos aceitar produtos artesanais que não sejam de qualidade superior, e é por isso que estamos aqui para auxiliar o mercado cervejeiro de todo o país a aprimorar, não só as receitas, mas todo o profissionalismo em toda a cadeia produtiva”, conclui.

A nova empresa made in Pernambuco tem o plano de tornar o estado um polo de cervejaria artesanal para atender as regiões Norte-Nordeste, como também prestar consultoria a outros empreendedores do país, interessados em dar um upgrade na microcervejaria ou abrir novo negócio no segmento. Estima-se que existem entre 30 mil a 50 mil fabricantes caseiros nessas regiões. Em Pernambuco, nove cervejarias artesanais produzem e comercializam seus rótulos pelo Estado. São elas: DeBron, Ekäut, Capunga, Duvália, Babylon, Patt Lou, Pernambucana, Haus (Petrolina) e a recém-criada Navegantes, com início de produção previsto para outubro.

“Temos um potencial a ser desenvolvido, pois a maior parte desses negócios está localizada nas regiões Sul e Sudeste”, adiantou o diretor-geral da Contti e consultor empresarial Jadir Rocha. Ele compara esse boom que está ocorrendo agora com a cerveja artesanal com o que aconteceu anteriormente com o vinho. “É o novo vinho do Brasil, ou seja, estamos trocando rótulos da qualidade duvidosa por produtos nacionais e qualidade superior, reconhecidos nacional e internacionalmente por quem realmente entende. Assim como ocorreu com o vinho nacional alguns anos atrás” finaliza Jadir.

Ele acrescenta ainda que cerveja artesanal harmoniza com alimentos, une pessoas e envolve também públicos distintos, como o que curte jazz, blues, rock, e o forró de origem.

PE tem mais medalhas

“Pernambuco já tem uma cultura de cerveja artesanal”, conta o mestre-cervejeiro e sócio da empresa, Luciano Fialho. Tanto que, este ano, pela primeira vez uma cervejaria nordestina ganhou uma medalha em um concurso nacional e internacional. Em Blumenau, o estado trouxe quatro medalhas no principal concurso cervejeiro do país, sendo um ouro e dois bronzes, da DeBron, e uma prata, da Ekäut. Tal destaque torna Pernambuco o oitavo estado mais premiado nesse concurso e o com maior número de medalhas em todo o Norte, Nordeste e Centro-Oeste, este ano.

Já no mês de maio, mais uma vez, as duas principais cervejarias artesanais pernambucanas fizeram bonito. A Ekäut ganhou uma medalha de bronze com o estilo American IPA, na Libertadores das Américas, no disputado concurso “South Beer Cup 2017”. A DeBron, por sua vez, foi a cervejaria brasileira com o maior número de medalhas no concurso de cervejas da Austrália, o Australian International Beer Awards, com cinco medalhas de bronze. Vale salientar que todas as medalhas DeBron levam as assinaturas da dupla Ilceu Dimer e Luciano Fialho. Uma sintonia perfeita no mundo cervejeiro.

Além das fábricas artesanais, existem ainda sete marcas ciganas. São rótulos que tem autorização do Ministério da Agricultura para comercializar, mas não possuem parque fabril próprio. Produzem em um sistema de aluguel de equipamentos nas outras artesanais.

Expertise

Apesar de ser recém-criada, a nova empresa já surge com uma lista de pedidos de clientes, inclusive com contratos realizados de consultoria na Bósnia e com perspectivas de implantações de fábricas na Europa. A Dimer & Fialho Consulting é formada por sócios com expertise nacional e internacional. Um deles é o pernambucano Jadir Rocha, que tem experiência em mais de 20 anos em gestão contábil e empresarial, tendo participado de mais de 70 processos de aquisição, fusão e cisão em nível nacional. Ele também tem especialização de Tributação e Auditoria, sendo especialista em SPED e Planejamento tributário. É especialista ainda em contabilidade internacional.

Os outros dois sócios são mestres-cervejeiros de destaque internacional e conhecem bem desde a gestão de fábrica à criação de receitas premiadas. Primeiro mestre-cervejeiro do país a envasar a cerveja em litro, Ilceu Dimer é reconhecidamente um dos principais mestres cervejeiros do Brasil e está entre os 15 mais admirados do mundo. Reúne medalhas de platina, ouro, prata e bronze em todos os principais concursos mundiais de cerveja artesanal, a exemplo de Londres, Austrália, Alemanha, Estados Unidos e também Brasil. Ele tem no currículo mais de 40 anos de experiência no mercado cervejeiro nacional e internacional.

Ilceu tem formação de mestre cervejeiro na Doemens Academy Germany, uma das mais renomadas e tradicionais universidades do mundo cervejeiro. Começou sua história em 1978 e trabalhou por 19 anos na antiga unidade da Cervejaria Brahma, em Porto Alegre. Mais tarde, na Cervejaria Kaiser, também no Rio Grande do Sul. Fez a primeira cerveja Brahma na Argentina, em 1978, e conquistou medalhas em microcervejarias. Com essa bagagem, hoje é consultor na área.

O terceiro empreendedor é o paraibano Luciano Fialho. Ele é formado em Engenharia Agrônoma, pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e tem mestrado com título de mestre cervejeiro na Université Catholique de Louvain, na Bélgica. Trata-se de uma das mais tradicionais e renomadas universidades cervejeiras do mundo. Ele reúne mais de 20 anos no segmento, tendo sido inclusive gerente de produção de fábricas do grupo Ambev em nove unidades, e responsável por diversos projetos como ampliação e modernização de plantas pelo Brasil.

Dados do Setor*:

– Brasil é o terceiro maior produtor mundial de cervejas artesanais, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e países da Europa;

– O mercado de cervejarias artesanais participa hoje com 0,7% do volume total de cervejas no país, o que representa volume de aproximadamente 91 milhões de litros anuais de cervejas artesanais;

– Cerca de 90% desse tipo de negócio estão localizados nas regiões sul e sudeste, a maioria delas pequena empresa, com tamanho médio e produção em torno de 20.000 L de cerveja/mês;

– Nos últimos anos, a taxa de crescimento está acima de 50 novas cervejarias artesanais por ano, o que representa em média uma nova cervejaria por semana;

– Em 2015 eram 372 cervejarias artesanais no país, crescimento de 17% em relação a 2014;

– Até o final de 2017, a expectativa do setor é que o número de cervejarias artesanais chegue a pelo menos 700.

*Fonte: Instituto da Cerveja

(http://www.blogdasppps.com/2017/09/pernambuco-se-organiza-para-ser-polo-de-cervejaria-artesanal.html)

(http://www.terramagazine.com.br/pernambuco-se-organiza-para-ser-polo-de-cervejaria-artesanal/)